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A VERDADE SE IMPÕE E LIBERTA
Ao ingressar no BB em 1979, eu e minha família acreditamos que eu estava arranjada na vida. Quando meu filho, com 18 anos, foi aprovado no concurso do BB e assumiu em 2004, assolou-me um misto de orgulho e apreensão. Orgulho por vê-lo, tão jovem, lograr êxito no seu primeiro concurso. Apreensão porque o encanto já se havia desfeito e todos nós descobrimos consternados e aflitos, que o BB estava longe de ser a "mãe" cantada em prosa e verso em anos idos. Já não éramos o maior patrimônio da empresa, o seu grande legado. O mundo mudou, paradigmas foram quebrados, novos modelos de gestão entraram em uso. Natural que o BB também mudasse. Acredito, no entanto, que ficamos na contramão da história, porque, no caso, as mudanças ocorreram para pior. Acabou a inocência, a leveza com que conduzíamos as nossas vidas pessoal e profissional, a convicção de que pertencíamos à empresa e de que cuidávamos dela com desvelo, para o bem da Nação. Acabou a vocação inequívoca de fomentar o desenvolvimento, de mudar a realidade de distantes rincões. Tempos em que lucro e ética eram compatíveis e desejáveis. Acabou a nossa esperança no porvir e a certeza de que não seríamos descartados. Esvaiu-se a segurança de recebermos, a cada dia 20, um salário justo e capaz de garantir o nosso sustento e de nossa família com dignidade. Estamos perplexos com o que vemos: funcionários desmotivados, angustiados, deprimidos, adoecidos, inseguros, ameaçados, sobrecarregados de trabalho, fazendo acrobacias para lidar com a insatisfação dos clientes e pressionados para cumprirem metas cada vez mais difíceis de serem alcançadas.
Lá se vão 4 anos de trabalho e o "meu menino", apesar do cenário sombrio, revela-se um funcionário dedicado e exemplar, com excelente produtividade e ótimo relacionamento com colegas, merecendo referências elogiosas de seus chefes e de seus pares. O funcionário jovem e sério é também um rapaz politizado e capaz de lutar por seus direitos e pelo bem comum, participando ativamente dos movimentos grevistas e sendo escolhido Delegado Sindical. Ainda em 2005, o meu filho recebeu um pedido de informação da agência acerca de vendas de ações realizadas. Respondeu prontamente e não se falou mais no assunto. A vida transcorreu normal e ele exerceu, por diversas vezes, desde então, cargo de confiança, obtendo sempre ótimos conceitos nas avaliações funcionais. Dois anos e 10 dias após o fato, sem aviso prévio, de forma intempestiva, auditores o arrancam do expediente e o submetem a longo interrogatório. Tudo feito de forma autoritária, sem que ele ao menos tivesse oportunidade de retornar aos fatos envoltos em bruma pelo enorme lapso de tempo. Isso culminou numa "suspensão do contrato de trabalho" e em acusações gravíssimas: improbidade, indisciplina e mau procedimento. De funcionário de confiança na manhã de 17/12/07, quando fazia curso de caixa, passou a réu, com todos os direitos suspensos, na tarde do mesmo dia. A solidez de seu caráter, a força que emana dele, bem como os sólidos valores pelos quais se pauta, fizeram-no confiante de que a verdade viria à tona e que a justiça seria feita. A dor enorme que invadiu as nossas vidas e desorganizou o nosso cotidiano só não era maior que a nossa certeza de que ficaria provada a total ausência de dolo ou culpa. A Justiça foi feita com a impecável sentença do Dr. Ricardo Luís Espíndola Borges. As acusações revelaram-se infundadas e o testemunho dos seus superiores (na época) foi importante na elucidação dos fatos. Saímos fortalecidos do embate e convictos de que ganharemos a guerra. Enaltecemos o trabalho incansável dos diretores do Sindicato, Joãozinho e Juvêncio. Este, mesmo de férias, ficou do nosso lado em todos os momentos, num prélio renhido em prol dos direitos e da verdade, que é a sua marca registrada, além de ser o símbolo da resistência, coerência, honestidade, de cuja militância sindical nós bancários não podemos prescindir. Destacamos, ainda, com profunda gratidão e respeito, o brilhante desempenho dos advogados, Dr. João Hélder (atravessando uma situação familiar difícil, que culminou com a morte de seu pai) que foi incansável e pôs a sua intelecção e experiência a serviço da verdade, nos tranqüilizando e nos fazendo confiar na Justiça, e Dr, Manoel, que o substituiu à altura nas audiências e nos conduziu com serenidade, competência e brilho à vitória. Outros embates virão, mas sabemos que a verdade se impõe e liberta. Obrigada aos amigos e colegas e todos aqueles que partilharam da nossa luta e dor e que agora celebram conosco a vitória.
Lêda Maria de Fátima Carvalho Pinto.
Funcionária do BB





