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QUATRINCA DE GERENTES
Há uma historinha, que me perdoe o autor, não lembro o nome, que nos faz pensar sobre as questões da autoridade e da obediência: Um pelotão de soldados treinava ao lado de uma via férrea. O sargento, que era surdo e míope, não percebeu que um trem vinha à toda pela linha. Os soldados estavam tão treinados a obedecer a ordens sem questionar que continuaram marchando, aparentemente alheios ao fato de que dali a instantes seriam carne moída.
O Recruta Zero, criação do cartunista americano Mort Walker, surgiu em 1950. Após cinqüenta e oito anos continua fazendo sucesso em todo o mundo. O enredo desenvolve-se no Quartel Swampy, com todos os personagens pertinentes a uma instituição militar. A ação é centrada no próprio recruta e em seu superior, o sargento, cada elemento agindo da maneira que lhe parece correta: Tainha impondo autoridade e Zero desobedecendo.
A que se deve o sucesso tão duradouro de uma história em quadrinhos? Acredito que ao fato de abordar algo inalienável da convivência humana: o poder de mando, a obediência cega e o questionamento da autoridade. E, claro, à genialidade criativa do autor.
Nunca aceitei placidamente o princípio da autoridade. Se o cara manda, eu já fico com um pé atrás. Isto porém nunca impediu-me de bem lidar com "Sua Excelência". Sempre tive como norma manter uma certa distância, acatar as ordens racionais e não ser subserviente.
Tem sido freqüente, ultimamente, no Luta Bancária, a presença de artigos tratando do exercício da autoridade no meio bancário. No caso, exercício abusivo e discutível.
A liderança é nata? É aprendida? É possível formar-se líder? Não tento analisar, para mim é mágica pura. Tive a ventura de trabalhar com algumas pessoas que tinham os funcionários não como subordinados, mas como co-responsáveis, co-gestores, sem exibir autoridade ou gritar ordens. E nunca presenciei um colega querendo passar-lhes a perna ou afrontando-lhes a competência e autoridade naturais.
Com tanta crítica, é saudável que não neguemos um elogio merecido. Uma homenagem cai bem, de vez em quando. A José Praxedes Régis Bezerril (falecido), Mário Medeiros Júnior (falecido), Carlos Alberto Josuá Costa e Francisco Gonçalves Filho (aposentados), minha homenagem, meu respeito e admiração.
Zuzu Linhares é funcionário aposentado da CAIXA





