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REESTRUTURAÇÃO NO BANCO DO BRASIL
Nos últimos anos o Banco do Brasil tem passado por várias reestruturações. Muitas delas ficaram muito bonitas, no papel. A mensagem de lançamento era a de que os funcionários deveriam adequar-se aos novos tempos e que precisavam "comprar" totalmente aquelas idéias. Os funcionários se esforçavam e cumpriam sua parte. No entanto, o Banco do Brasil não cumpria a sua, na medida em que deixava de disponibilizar a estrutura física e humana, prevista nos tais projetos.
Para os que ainda não sabem, o Banco do Brasil fez recentemente uma reestruturação que trouxe em seu bojo, mais uma vez, a redução de quadros funcionais e a mudança no formato estrutural das agências. O que seria isso?
Na verdade, "modernamente" falando, quando uma empresa faz uma reestruturação, ela, invariavelmente, reduz pessoal (custo de mão-de-obra) e investe em mecanismos de otimização de mão-de-obra (o chamado "arrocho trabalhista") e em estrutura de auto-atendimento. E o que isso significa?
Vamos por partes. Em primeiro lugar, todas as vezes em que o Banco do Brasil fez uma reestruturação, o fez apresentando um belo planejamento. Ali estava prevista a criação de estruturas adequadas, repletas de equipamentos, pessoal e cargos comissionados, que proporcionariam "ganhos em escala", aperfeiçoando o atendimento aos clientes e facilitando o trabalho dos funcionários – ressalte-se que normalmente esses gargalos são resultantes da carência de mão-de-obra ou de falha nas estratégias organizacionais.
Dentro desses planos, vêm sempre as já batidas e manjadas modernizações das salas de auto-atendimento. Auto-atendimento é um daqueles meios alternativos de atendimento em que o próprio cliente realiza suas transações, sem receber nenhuma remuneração por isso. De certa forma, sem perceber, acaba sendo um dos funcionários da empresa.
Pois bem, o Banco do Brasil iniciou sua última reestruturação no mês de julho de 2007. Decorridos 10 meses, esperava-se que a situação dentro das agências tivesse melhorado significativamente: as filas ficando cada vez menores, tanto nos guichês de caixa quanto nas diversas plataformas de atendimento e a redução do "stress" dos funcionários. Foi isso que aconteceu, não foi?
Não????? Bom, se isso não aconteceu, o que teria dado errado? Será que o número de funcionários contratados, que estava no planejamento, não foi atingido? A estrutura de retaguarda, que iria liberar os funcionários do Suporte para o atendimento até agora não funcionou? Não foram providenciadas as novas máquinas para as salas de auto-atendimento e, por isso, boa parte delas teimam em quebrar?
Onde estariam as pessoas responsáveis pela criação e implantação desse plano? Serão interpeladas, em razão dessa situação? Serão responsabilizadas? Acredito que não. Logo esquecerão esse mirabolante plano e lançarão outro. Tive um professor, que havia capitaneado o trabalho de ajuste para privatização de uma estatal que afirmava: "é ótimo administrar empresas estatais. Posso fazer os experimentos que quiser. Se der errado... não dá em nada. Se der certo, tenho provada a minha tese e fortaleço o meu aprendizado e meu conceito".
Tenho certeza de que somente os funcionários, sofrendo com expedientes cada vez mais estressantes, e os clientes, enfrentando filas cada vez maiores, vão pagar o preço de algo que nem compraram: o tal plano de reestruturação. Quem viver... Verá!
HERIBERTO GADÊ DE VASCONCELOS
Ex-funcionário (aposentado PREVI) e diretor estadual da ANABB





