
CRUZANDO COM POSTES NA RUA
Você já não aguenta mais o seu chefe, até anda pensando em derramar ácido sulfúrico no teto do carro dele, colocar uma tábua cheia de pregos na vaga dele do estacionamento, um pedaço de carne podre na gaveta de sua mesa, filmá-lo no motel com aquela gostosinha que não quer transar com você... Celestial! Um casal de ratos na mira do trabuco.
Atenção, crianças! Não façam isso em seus locais de trabalho. Estou falando porque sinto-me em absoluta segurança. Todos os meus chefes já morreram. Tiveram o privilégio (como lamento!) de ir pro céu primeiro do que eu.
Não se desespere. Você conhece o mal e o malfeitor. Há coisa pior: a perseguiçao às surdas. Nesta modalidade a ibiboca até é gentil, ri, cumprimenta... Mas na surdina arma o bote. E há como lidar com isso de modo racional. Quando digo racional, significa excluir qualquer emoção.
Difícil? Nem tanto. É só uma questão de treino.
A natureza programou o cérebro humano para reações musculares. Natural, ante a iminência dos perigos físicos. Tínhamos que atacar ou fugir de pronto. Para nossos ancestrais as emoções eram relevantes. A raiva, a ira, o medo, eram o motor que fazia com que nos atirássemos sobre o nosso inimigo num tudo ou nada. Era viver ou morrer. Hoje as ameaças são mais sutis. Cometemos o erro de continuar usando o mesmo programa, reagindo com os músculos: corpo tenso, cara feia, dentes cerrados... Como somos primitivos! Precisamos reprogramar nossas mentes.
Recuse-se a sentir raiva. Ela não vai atingir o seu... com licença da palavra, chefe. A raiva, não materializada num gesto extremo, só ofende a quem a sente. E nós não vamos sair matando toda pessoa da qual sentirmos raiva. Diante da ofensa e/ou da adversidade tenha sempre em mente as palavras: racional, indiferente, neutro, sem emoção. Sabe aquele turbilhão de emoções que invade a pessoa ao cruzar com um poste na rua? É aquilo.
Sem nenhuma emoção deixe que as emoções e quem as sente apodreçam na própria sordidez.
Zuzu Linhares (funcionário aposentado da Caixa)