O LÍDER “DE ARAQUE”

 

A liderança tem sido o status mais procurado pelos gestores da administração moderna, nos últimos tempos. Mais especificamente no Banco do Brasil, muitos gestores ainda não entenderam o que é, na verdade, liderar uma equipe, um grupo ou uma organização.

 

Pensam, na sua mais profunda ignorância, que liderar é conseguir que as pessoas façam o que eles querem. Ledo engano. É muito fácil um gerente, investido nas institucionais funções de mando e poder, comandar um grupo de pessoas. Sim, é muito fácil. Basta brandir a força da sua prepotência, temperada pelo seu destempero, misturada com sua inconseqüência, condimentada com pitadas de egoísmo e aquecida pelo calor da sua presunção. Assim, todos irão obedecer, mas ele jamais será um líder. Conseguirá, no máximo, ser um “chefe”.

 

E é dessa forma que muitas unidades do Banco do Brasil estão sendo conduzidas, com o beneplácito da direção do Banco que a tudo vê e nada faz. Talvez essa passividade latente se dê em virtude da falta de conhecimento sobre o que realmente é liderança.

 

Pois bem, eu acho que essa é a máxima de hoje no Banco do Brasil: “eu mando e vocês obedecem. Se não...”. É triste, mas é verdade. Isso explica a indiferença com que os funcionários vêm sento tratados, a partir de alguns procedimentos indesejáveis adotados em agências da Capital.

 

É muito fácil atingir metas utilizando-se da pressão e ameaças contra os funcionários. Sabemos que isso tem resultados no curto prazo, porém é cobrado um alto preço no longo prazo. Como os gerentes passam cada vez menos tempo em uma unidade, as repercussões negativas geradas pelo mau gerente impactam a gestão posterior e o “vilão” vão destruir outra praça. Apesar de todos saberem que isso acontece, estranhamente, esse procedimento se perpetua. Atualmente, o que acontece no Banco do Brasil, é fruto de algumas desastradas e ilusoriamente vitoriosas “gestões anteriores”. Tais procedimentos criam o que se conhece por “passivo oculto” que, um dia, terá de ser quitado.

 

Não estou sugerindo encobrir deficiências ou amenizar os atos indevidos de funcionários. Não! Na verdade, é obrigação de todos considerarem que cada pessoa é um mundo, ou seja, um ser formado por uma infinidade de variáveis às quais não nos cabe interferir ou discordar, apenas respeitá-las. Em poucas palavras, sugiro somente o respeito para com a individualidade e competência na condução de pessoas. Apenas isso.

 

Poderia agora discorrer sobre tudo que envolve a capacidade inerente ao líder, suas necessárias competências e a postura que deveriam adotar. No entanto, prefiro mais uma vez sugerir que as pessoas que dirigem o Banco do Brasil busquem auxílio no seu próprio órgão de formação: a GEPES. Temos certeza de que lá existem pessoas habilitadas para oferecer as respostas corretas.

 

As ocorrências que vêm sendo noticiadas pelo Sindicato merecem, no mínimo, uma verificação. Esse compromisso foi assumido pelo Sr. Superintendente em sua visita à sede do Sindicato e, até agora, não constatei sinais de suas ações. Infelizmente, só me resta esperar. Fico feliz de ver que o Sindicato não está de braços cruzados. Ao contrário, vem agindo fortemente contra esse estado de coisas.

 

HERIBERTO GADÊ DE VASCONCELOS
Ex-funcionário (aposentado PREVI) e diretor estadual da ANABB


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