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Autismo: informação é a principal arma contra o preconceito

03/04/18
No dia 2 de abril comemoramos o Dia da Conscientização sobre o Autismo. A data serve para ajudar a conscientizar a população mundial sobre  um transtorno no desenvolvimento do cérebro que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo.
O Autismo pertence a um grupo de sintomas que atingem o desenvolvimento cerebral, conhecido por "Transtornos de Espectro Autista" - TEA.
O pscicopedagogo Nery Adami Neto explica que o autismo não é considerado uma doença. ‘‘Se fosse teria cura, o que acontecia era que, antigamente, existiam o Asperge ou o Autista ‘‘clássico’’, hoje você tem uma outra condição que é o Transtorno do Espectro Autista, são crianças que tem dentro do espectro clássico, sintomas diferentes’’,  explica.
Asperge eram tidas como crianças com uma grande capacidade em determinada área e problemas de socialização.
O diagnóstico precisa de uma boa avaliação. São difíceis, pois não é apenas um exame, a maioria dos transtornos precisa ser avaliada de forma subjetiva no dia a dia. O profissional da área médica é quem diagnostica e analisa todo o comportamento em diversos ambientes e encaminha para as áreas que poderão ajudar cada paciente.
Os sintomas começam a ser sentidos até os três anos, quando o desenvolvimento vem muito satisfatório e de repente apresenta uma regressão. Isso no autista clássico, porque nos TEAs você precisa estar atento aos detalhes.
O diagnóstico precoce é importante para evitar grandes regressões e iniciar os estímulos que minimizam as consequências.  ‘‘Mas não é cura, é melhora de quadro’’, esclarece Nery.
Não há um único consenso do que pode causá-la, genética e fatores ambientais, principalmente na gestação, estão entre as causas que podem levar ao desenvolvimento do transtorno.
O importante é que as pessoas se informem e aprendam a respeitar e conviver com o diferente. Isso porque há um estudo americano que prevê que, até 2025,  25% das crianças nascidas terão TEA.
Nery destaca a importância dos pais nessa luta pela independência e autonomia dos portadores de TEA.
 
Andresa e Danilo: uma história de amor e respeito
Quando descobriu que o filho estava dentro do Espectro Autista, há três anos, a bancária Andresa Nogueira sentiu um misto de alívio e ansiedade. ‘‘Me aliviou ter conseguido chegar a um diagnóstico porque eu pude começar a procurar ajuda e tratamento pra ele’’, contou.
Ela lembra que antes do diagnóstico era muito cobrada pelas pessoas que não entendiam que a ‘‘rebeldia’’ do pequeno Danilo não era excesso de mimos e de cuidado. Apesar de sempre muito zelosa, a mãe sempre impunha limites e tentava adaptar a rotina para que o filho se sentisse acolhido e estimulado.
Com apena 11 anos, Danilo já passou por nove escolas, esse é apontado por Andresa como uma das grandes dificuldades que enfrenta. ‘‘Infelizmente não há escola pronta para eles, mas há umas com mais boa vontade que outras’’, relatou.
Por lei, escolas tradicionais são obrigadas a aceitar e incluir os alunos com TEA. No caso dele, uma auxiliar o acompanha em sala de aula.
Dentro dos sintomas de Danilo está uma excepcional facilidade no campo da lógica, o que o faz se destacar na área de robótica,  com projetos desenvolvidos com dificuldades de nível médio. Em contrapartida, possui muita dificuldade na socialização.
A bancária conta que encontrou apoio em uma rede de solidariedade dentro do próprio Banco do Brasil chamada BB Azul. O grupo composto por autistas e pais de autistas trocam experiências e se auto-auxiliam com informações sobre o uso da CASSI e do programa Viver Bem, desenvolvido pela Caixa de Assistência.
Conforme conquistado pelo Acordo Coletivo dos Bancários, o BB ainda paga um auxílio para pais com filhos com necessidades especiais, o que facilita a vida deles.
Andresa desenvolveu uma cartilha para entregar no dia da conscientização sobre o autismo e acredita que a informação é o mais importante. ‘‘Quero que as pessoas reconheçam e respeitem as diferenças’’, relatou ela que afirma que continuará lutando pela autonomia de seu filho.

 


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